Por thiago.antunes
Rio - Um dos traficantes de armas mais procurados do Brasil, Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, foi preso no Paraguai na manhã de ontem. Ele foi encontrado em uma operação da Secretaria de Estado de Segurança do Rio (Seseg), em conjunto com a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad), a Polícia Federal brasileira, a Polícia Nacional do Paraguai e a Agência Antidrogas Americana (DEA).
Piloto era homem de confiança de Fernandinho Beira-Mar (preso em penitenciária federal há 11 anos), tendo recebido todos os contatos de fornecedores de armas de Marcelinho Niterói, morto por agentes da Polícia Federal na Maré, em 2011.
Marcelo Piloto foi preso no ParaguaiDivulgação

Desde então, a polícia acredita que Marcelo Piloto tenha enviado mais de mil armas para favelas do Rio. Inclusive, a primeira metralhadora .50 apreendida na cidade teria sido enviada por ele. A arma, capaz de derrubar um avião com um disparo, foi encontrada em 2015, no Complexo do Chapadão.

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Na ficha criminal do traficante, há também participações em ações violentas, como arrastões e ataques a Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), além de resgate de preso.
Segundo o Portal dos Procurados, Piloto, também conhecido como Celo, foi preso pela primeira vez em 1998. Em 2007, seis dias após ganhar da Justiça o benefício do regime semiaberto, ele fugiu do Instituto Penal Edgard Costa, em Niterói, na Região Metropolitana. Desde então, era considerado foragido. Contra ele, havia ao menos 20 mandados de prisão. O Disque-Denúncia oferecia uma recompensa de R$ 10 mil por informações que levassem a sua captura.
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A prisão de Piloto teve grande repercussão na mídia paraguaia, além de ter sido divulgada no Twitter do Senad. De acordo com a polícia, Marcelo Piloto teria participado da derrubada do helicóptero da PM, em 2009, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, que deixou três policiais mortos.

Piloto faz parte do grupo de dez traficantes, acusados de participar do resgate de Diogo de Souza Feitoza, o DG, de 29 anos, da 25ª DP (Engenho Novo), no dia 3 de julho de 2012. A principal área de atuação dele era em Inhaúma, Ramos, Penha, Bonsucesso, Pilares e Benfica. O traficante costumava ainda promover bailes funk nas comunidades, impulsionados pela venda de drogas, e circular com carros roubados. Em julho de 2010, Piloto teria participado de arrastões na Avenida Pastor Martin Luther King e na Linha Amarela.

Secretário: a prisão atinge o 'Comando Vermelho'
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O secretário estadual de Segurança, Roberto Sá, disse ao Dia que a prisão de Marcelo Piloto atinge de forma imediata o Comando Vermelho, já que sua prisão representa a interrupção no sistema de abastecimento de armas da quadrilha. "Atinge de forma imediata porque desarticula esse fornecimento de armas, munição e drogas. Temos interesse em ouvir esse preso e ter mais informações a respeito. A Desarme e a Dcod trabalham em sintonia fina, então, nós vamos, assim que pudermos, pegar o seu depoimento para ter mais informações sobre a rota", afirmou.
O secretário também defendeu o trabalho conjunto com a Polícia Federal, "que tem esta missão constitucional de combater o contrabando e descaminho", e lembrou que sempre foi esta a sua maior crítica sobre os problemas da segurança no estado."Nós estamos tentando cortar lá na fonte este abastecimento. Uma das grandes críticas minha é exatamente este comércio de armas e drogas".
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Sá lamentou o corte no orçamento da Segurança para 2018. "É muito difícil e eu lamento muito o corte de orçamento na área de segurança. Segurança requer investimento. Este ano trabalhei com 40% da Lei Orçamentária Anual. Basicamente não tive condições de fazer investimentos e o custeio foi o mínimo essencial. Então eu vejo com muita preocupação", disse.
Nome falso e nacionalidade paraguaia
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Para fugir da polícia, Piloto usava o nome falso de Marcos Lopes Correia. Três documentos com nomes e nacionalidades diferentes foram encontrados na casa do criminoso: uma identidade brasileira, outra paraguaia e uma habilitação também do Paraguai.
A prisão do traficante ocorreu em um bairro construído pela empresa paraguaio-argentina Entidad Binacional Yacyretá, responsável pela construção de usinas hidrelétricas no Rio Paraná, que divide os dois países.
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Piloto foi encontrado em uma casa onde vive famílias removidas pela construção da hidrelétrica. Segundo a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, ele alugou o imóvel há quatro meses e foi encontrado sozinho ontem.
De acordo com a Polícia Civil do Rio, o criminoso vive no Paraguai há cinco anos. Ele fugiu do Brasil em 2012, após a ocupação, pelas forças de segurança, da favela de Manguinhos.