Coluna Avesso da Vida, de Léo Montenegro: leitura obrigatória por 37 anos

Crônicas divertidas que marcaram história do DIA

Por O Dia

Léo criava personagens engraçados olhando as pessoas ao seu redorMarcelo Regua (6.8.1997)

Rio - Trinta e sete anos de crônicas diárias deixaram a marca do jornalista Léo Montenegro nas páginas do DIA e na história da imprensa carioca. De 1º de maio de 1965 até julho de 2003, leitores buscavam diariamente os personagens de nome exóticos e que viviam situações inusitadas criadas pelo meu amigo Léo.

De repórter a cronista foi um pulo. Bastou o dono da coluna não entregar o texto a tempo, e ele ter a oportunidade de substituí-lo. O sucesso da primeira crônica de Léo foi tanto, que ganhamos, todos nós, um novo escritor. Ficamos fiéis às histórias trágicas e cômicas que nos deixaram frente a frente com o
nosso dia a dia. Entre um personagem que poderia se chamar Astrologildo ou Pandemônico ou mesmo Luarlindo os leitores ficavam ansiosos pelo final da história. “Quem seria o perdedor ou ganhador na trama desta edição?”

Leitores terão, em breve, a oportunidade de reler crônicas de Léo, que serão reeditadas em livro. Sempre com as mangas da camisa arregaçadas até os cotovelos, Léo enxergava as histórias que criava na sua máquina de escrever Remington preferida, olhando para as pessoas ao seu redor e talvez para o seu próprio interior. Quantas vezes atravessamos Rua Riachuelo, onde ficava a antiga sede do jorna, para fazer uma fezinha na transversal à direita do prédio. Ele caminhava pensando na aposta, nos personagens e ainda conversava comigo.

Ele tinha, na minha opinião, o biotipo seus personagens: magro, corpo reto, cabelo cortado baixinho e alguns cacoetes. Um ‘figuraço’.  Sou privilegiado por ter conhecido o Léo. Ajudei a criar alguns personagens. E
é assim que imagino como ele iniciaria uma história atualmente: “Aprígio, Temóstecles e Odorico, amigos de infância no subúrbio do Engenho da Rainha não poderiam deixar de comparecer ao sepultamento do camarada de fé, o Zero, o nome carinhoso de Zé Roberto. Ele é um do mosqueteiros da Ordem Alcóolica da Rainha.  Os quatro eram inseparáveis...” 

Leia a crônica 'Arquenógio, o Folgado'

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