Bar do Zé curte a fama depois da visita de Mujica

Ex-presidente do Uruguai saboreou feijoada e rabada preparadas por dois irmãos na Tijuca

Por O Dia

Rio - Escondido na praça da Bandeira, num casarão antigo de paredes verdes e descascadas entre as ruas Barão de Ubá e Santa Amélia, o Bar do Zé teve seus primeiros minutos de fama na quinta-feira, quando o ex-presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, surpreendeu os presentes ao aparecer com sua pequena comitiva para desbravar a feijoada e a rabada preparadas e servidas pelos irmãos José e Hermenegildo Alves Ferreira.

Os dia seguintes, no entanto, continuaram sendo de tranquilidade na casa administrada há 14 anos pelos irmãos cearenses que chegaram ao Rio há 44 anos para "ganhar a vida e ficar mais perto do Fluminense", o clube de coração dos dois torcedores apaixonados. Famoso pelos hábitos simples e carisma, Pepe Mujica encontrou na Praça da Bandeira botequim à sua imagem e semelhança.

Mesmo após o almoço de Mujica%2C o Bar do Zé tem movimento tranquilo de clientes de todos os diasJoão Laet / Agência O Dia

"É um bar como a letra de "Saudade dos Meus Botequins" do Paulinho do Cavaco e Luis Pimentel, nosso colunista aqui do DIA. Não tem letreiro em neon e visual requintado. É pastel, empadinha e jiló na terrina. E banheiro com cheiro de naftalina", disse o repórter Caio Barbosa, cliente do bar desde os tempos em que a redação do DIA ficava na Cidade Nova, a poucos metros do boteco.

Seu Zé e Gildo, além de Vando, o Gordo, parceiro que é pau para toda obra, abrem a birosca às 8h e só fecham após o último cliente, que costuma deixar a casa por volta da meia-noite. De domingo a domingo. Inseparáveis. Como a música de Amado Batista ou dos pagodes românticos do Raça Negra que tocam no rádio sobre a geladeira que tem um cardápio escrito à mão colado na porta.

Bar na Praça da Bandeira fez a alegria de Mujica

Os preços no Bar do Zé são módicos. A unidade da batata calabresa, ovo colorido ou jiló sai por R$ 1. Salgadinhos como pastéis e enroladinhos de salsicha, a R$ 3. O copo de vinho Galiotto custa apenas R$ 3,50, e a garrafa, R$ 20. E tem rabo-de-galo, traçado, Pau Pereira...e, claro, Caracu com ovo (R$ 8).

As refeições são bem servidas para atender a seguranças, borracheiros e a turma da rua, que faz questão de bater ponto ali diariamente. Como em todo bom boteco, cada dia da semana tem um prato especial. Os mais caros (R$ 18) foram os preferidos de Mujica: feijoada (sexta) e rabada (sábado). Os demais custam R$ 15: costela de boi com agrião (segunda), frango com quiabo (terça), carne seca com abóbora (quarta) e bife de panela com purê (quinta). O contra-filé com fritas (R$ 17)também faz inveja a muito restaurante da Zona Sul.

"O Mujica, aparentemente muito bem assessorado no Uruguai, também mostrou ser nesta vinda ao Rio. O Bar do Zé é exatamente como ele: sem frescura, tranquilo, onde o respeito às pessoas e a boa convivência estão em primeiro lugar. Junto com a boa comida, é claro. Mas quem gosta de feijoada com carne separadinha, melhor nem aparecer. É tudo misturado. Como ensina, pelo menos na teoria, o socialismo", brinca o jornalista.

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