O DIA revela o que há por trás das paredes da Casa do Mago

Em busca das previsões e trabalhos do Mago Ubirajara Pinheiro, local é procurado até por celebridades

Por O Dia

Rio - É para lá que o empresário Eike Batista costuma correr quando se vê às voltas com a Justiça ou em dúvida quanto aos seus investimentos. Também foi naquele casarão místico, na Rua Humaitá, que Lady Laura fez as suas últimas investidas contra os males da idade, apesar da corrente de fé feita pelos fãs do seu filho, Roberto Carlos. A atriz italiana Monica Bellucci e o jogador holandês Seedorf são outros que já foram vistos no local, em busca das previsões, trabalhos e conselhos do Mago Ubirajara Pinheiro, dono da famosa Casa do Mago.

O Mago Ubirajara e seus diversos rituais%3A ele diz ter percorrido todas as crenças até desenvolver a mediunidade e critica intolerância religiosaPaulo Araújo / Agência O Dia

De batas longas de época até os pés, o Mago não teme ser alvo de intolerância religiosa — apesar de a fachada da casa ter sido apedrejada quinta-feira. “Tenho proteção superior”, afirma, mas condena a violência. “Qualquer manifestação desta natureza reflete ignorância. Mas precisamos aceitar que a Guerra Santa não é uma ameaça, já é uma realidade”, sentencia.

Há 20 anos, uma imagem de São Jorge e uma estrela em neon, de proporções gigantescas, chamam a atenção de quem passa pelo local, a caminho do Túnel Rebouças. Muitos dos que se impressionam com a casa voltam a cada segunda-feira, dia em que o mago — ele refuta o título de pai de santo — realiza os diversos atendimentos gratuitos.

De leituras em bolas de cristal até jogo de búzios, todos querem as previsões atribuídas pelo Guru das Celebridades ao Rei Mago Gaspar (de quem diz ser representante em vida) e apoiadas na figura do Tranca-Ruas, um espírito que ele garante ser “de luz”. Pudera: durante a semana, as consultas custam R$ 150 e precisam ser agendadas. São quase 200 marcações por mês.

“Vim ao mundo para semear a paz. Um pouco de estudo teológico mostra que Lúcifer não é um espírito do mal”, garante. Apesar das imagens que remetem à diversas linhagens do espiritualismo, Mago Ubirajara nega seguir qualquer religião. De fato, uma leve sensação de mistura religiosa é inevitável para quem entra na casa. Símbolos do Candomblé e da Umbanda estão dispostos lado a lado com imagens de santos e, não raro, ouve-se música evangélica por ali.

“A diversidade está atrelada às minhas origens. Sou filho de maranhenses que se converteram evangélicos nos anos 60. Foi na Assembleia de Deus que despertei minha vidência, aos 8 anos. Apanhava do meu pai e era condenado na igreja. Em busca de respostas, peregrinei igrejas católicas até me estabelecer no Lar de Frei Luiz, que dava seus primeiros passos.”

A casa é mantida por empresário%2C que tem a identidade sob sigilo%2C além das consultas a R%24 150 cadaPaulo Araújo / Agência O Dia

Fotos de Eike decoram sala de consultas

O Mago afirma ter tido a colaboração de um empresário que o mantém na casa com localização privilegiada, em troca de “muitos favores espirituais já prestados”. A identidade do benemérito, ele não revela. Porém, em sua sala de consultas, há fotografias de Eike Batista e Luma de Oliveira. Eles parecem o observar enquanto ‘receita’ despachos. “Dois inhames banhados em mel, charutos e cerveja, despachados numa mata”, prescreve ao repórter para quem previa “um grande futuro”.

Mas a admiração antiga a Eike, ele garante, suplanta qualquer doação financeira. “Somos amigos de anos”, minimiza ele, que não sabe o quanto custaria o aluguel. Quanto aos recentes insucessos de Eike, explica: “Orientei para que não se metesse com o terreno da Aldeia Maracanã. Evocou espíritos poderosos. Em seguida, brigou com o Rei Roberto Carlos, o homem mais amado do Brasil. Foram muitas vibrações contra ele. O império ruiu, mas o Eike volta. Ele tem a mim cuidando do plano espiritual”.

Nos fundos do terreno, montanhas de roupas angareadas esperam doação. Ele garante já ter tirado mais de mil pessoas da miséria. “Descobri a cura espiritual para males como alcoolismo e dependência química. Nunca cobrei um centavo.”

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