Após enterro de jovem, moradores da Favela da Rocinha fazem protesto

Vítima foi morta a poucos metros de casa. Polícia já identificou suspeito do crime

Por O Dia

Rio - Pelo menos 80 pessoas fizeram, na noite desta quinta-feira, uma manifestação em frente à Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, em protesto contra a morte da jovem Francisca Gleiciane Oliveira da Silva, 18 anos, morta a poucos metros de casa. O corpo, com sinais de estrangulamento e violência sexual, foi encontrado pelo pai da vítima em um bar da região.

Os moradores da Rocinha suspenderam quatro faixas grandes na passarela da Autoestrada Lagoa-Barra. Na maior delas, estava escrito "Somos 200 mil querendo paz e justiça. Gleici Oliveira sorriso eterno". Por volta das 18h15, eles jogaram pétalas sobre a via, que ficou interditada em ambos os sentidos. Às 19h10, foi liberado o sentido Gávea da Autoestrada.  

O ato comoveu amigos e parentes de Gleici, como era conhecida. O auxuliar administrativo, Renato Anselmo, 27 anos, chorou durante a homenagem. "Foi horrível, tá todo mundo chocado. Eu a conhecia, era um doce de menina. Ela deixou um filho pequeno. Eu olho para ele e não imagino como vai ser a vida dessa criança".

Amigos e familiares choram a morte de Francisca Gleiciane Oliveira da Silva%2C de 18 anos. Ela estava desaparecida desde a última terça-feiraFoto%3A Carlos Moraes / Agência O Dia

Os motoristas que trafegam entre São Conrado e a Zona Sul são desviados para a Avenida Niemeyer. No sentido Barra, o desvio é feito a partir da Praça Sibélius; e no sentido Zona Sul, o desvio é feito a partir do Shopping Fashion Mall. Neste momento, o trânsito apresenta lentidão na Autoestrada Lagoa-Barra e na Praça Sibélius. Equipes da CET-Rio orientam os motoristas na região.

Enterro marcado por emoção

O corpo da jovem foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio, na tarde desta quinta-feira. O pai da vítima, Antônio Emanuel Marques da Silva, 48 anos, estava inconformado. "Quero que peguem quem fez isso com ela. Esse monstro merece justiça", disse Antônio, muito emocionado.

>>> GALERIA: Parentes e amigos choram a morte de jovem encontrada na Rocinha

Dezenas de amigos e familiares compareceram ao cortejo. Uma das amigas de Gleici, como era conhecida, afirmou que a vítima dizia que uma pessoa rondava sua casa. "Ela morria de medo. Contou que uma vez tentaram forçar a maçaneta. Achava que era coisa da cabeça dela", afirmou Stephany de Oliveira, 18 anos.

Pai da jovem Gleice%2C Antônio Emanuel%2C 48 anos%2C é consolado durante o velório da filhaCarlos Moraes / Agência O Dia

Antônio contou que viu a filha pela última vez na segunda-feira à tarde. "Ela pediu dinheiro para fazer um lanche. Dei R$ 50 e ela me deu um abraço e um beijo. Eu voltei para pegar o celular e ganhei mais um beijo. E eu encontrei ela morta, a sandália dela na porta da frente do bar. O cara fez isso a 10 metros da minha casa", revelou, entre lágrimas.

Às 16h40, o caixão foi baixado e os presentes cantaram o hino do Flamengo, time que Gleici torcia. "Era ela uma menina alegre, extrovertida e caseira. Não era de ficar indo a baile", afirmou Matheus da Silva Soares, 19 anos, colega da vítima.

Amigos e familiares choram a morte de Francisca Gleiciane Oliveira da Silva%2C de 18 anos. Ela estava desaparecida desde a última terça-feiraFoto%3A Carlos Moraes / Agência O Dia

A vendedora Thais do Nascimento Pereira, 21 anos, contou que Francisca era bastante estudiosa: "Estava ajudando a Gleici a fazer currículo para ajudar o filho dela. Ela terminou o segundo grau ano passado. Não faltava um dia sequer na escola e era muito dedicada.

Os delegados Rivaldo Barbosa e Fábio Cardoso da Divisão de Homicídios (DH), que cuida do caso, foram ao enterro. Fábio revelou que um suspeito foi identificado. "Já ouvimos parte da família. Nesses crimes, as informações são bem concentradas. Por isso estamos aqui. A DH já ouviu entre cinco e sete entre familiares e testemunhas e identificamos um rapaz", contou.

Padrinho diz que vítima estava sendo perseguida

Segundo Evandro Souza, padrinho da vítima, Gleice saiu de casa para encontrar os amigos na noite de segunda-feira e não voltou. A família desconfiou quando no dia seguinte, os próprios amigos foram saber o motivo da menina não ter aparecido no encontro. Em seguida, foi registrada queixa na 11ª DP (Rocinha).

Gleice Oliveira%2C de 18 anos%2C tinha um filho e foi enterrada nesta quinta-feira%2C em BotafogoReprodução Internet

Ainda de acordo com Evandro, Gleice, que já havia dito que sentia estar sendo perseguida por um homem, foi encontrada nua, amarrada com suas próprias roupas e apresentando sinais de estrangulamento e uma pancada na cabeça.

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