Rapel na Ponte Rio-Niterói pode dar até um ano de prisão

Sargento do Exército se pendura no vão central da ponte em protesto por salário

Por O Dia

Rio - Uma cena cinematográfica parou ontem de manhã a Ponte Rio-Niterói, sentido Niterói. Em protesto por aumento de salário o sargento do Exército Vinícius Feliciano Machado, de 29 anos, fez rapel no vão central onde ficou pendurado por 20 minutos, a uma altura de 75 metros. Ele estava com um cartaz amarrado à corda. “Fostes torturada e agora torturas. Vingança?”, dizia a frase endereçada à presidenta Dilma Rousseff.

Uma megaoperação foi montada em cinco minutos para resgatá-lo. Foram necessário agentes do Grupamento Marítimo da PM, um helicóptero da corporação, uma equipe da Polícia Rodoviária Federal e outra da CCR, que administra a ponte. Após ser puxado por uma corda por cinco policiais rodoviários, Vinícius foi preso. Ele é lotado no Forte São João, na Urca, e está no Exército há pouco mais de dez anos.

Vinicius foi detido%3A motorista que o levou também será processadoSeverino Silva / Agência O Dia

Leonardo Costa de Azevedo, amigo do militar que o levou até a ponte e ficou com o carro parado no vão central, também foi preso. Vinícius disse que planejava o protesto há dois anos. O veículo é emprestado e o dono do carro, segundo ele, não foi avisado. “Sabia que iria responder pelo que fiz, causei risco de acidentes, mas não me arrependo”.

A ação foi acompanhada pelo centro de comando da ponte. “Primeiro achamos que era um carro com problema. Eles montaram o equipamento muito rápido”, contou o chefe de Policiamento da Ponte, Gabriel Pereira. “A preocupação era a corda arrebentar. Foi preciso convencê-lo a ser içado. Nossa operação foi rápida e conseguimos prender também o motorista amigo dele”, contou.

“Aceitei dirigir o carro para que ele não ficasse parado na ponte e causasse um acidente”, justificou Leonardo. Ele e Vinícius estão sujeitos a pena de três meses a um ano de prisão. Eles foram soltos e terão que se apresentar uma vez por mês à Justiça. Vinicius também terá que responder à sindicância do Exército, que em nota informou que o ato “foi uma manifestação isolada e contrária às normas disciplinares da Força”.

Últimas de Rio De Janeiro