'Parlamentar não deve andar de ônibus', diz deputado Jair Bolsonaro

Político ainda criticou manifestantes que ocupam a Câmara, dizendo que os jovens não têm qualificação para fazer cobranças

Por O Dia

Rio - O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) comentou, nesta segunda-feira, a ocupação de manifestantes na Câmara Municipal, no Centro, e a criação da CPI dos Ônibus. De acordo com o político, cujo filho Carlos é vereador, "parlamentar não deve andar de ônibus".

"Fui ser deputado federal para não andar de ônibus, fusca, van, morar bem e pensar no bem do povo e da minha família. Ser pobre e miserável não é o que o vereador merece, mas também não precisa passar ao largo dos problemas do município", disse, ao ser perguntado por um vendedor ambulante se o transporte não seria melhor caso os políticos utilizassem o serviço.

Bolsonaro acredita que parlamentares não devem usar transporte público para se locomoverEstefan Radovicz / Agência O Dia

Bolsonaro criticou os manifestantes que ocupam a Câmara, dizendo que os jovens não têm qualificação para fazer cobranças. Apesar de discordar da manifestação, ele acusa a Fetranspor de financiamento político, afirmando que isso impede uma investigação transparente dos vereadores.

"Acho um abuso o que está acontecendo aí dentro. Eles (jovens) não têm direito de invadir a Câmara e pichar vários andares. Que tem coisa errada dentro do transporte, tem, e bastante. Mas esse pessoal aí nao tem qualificação para cobrar. E são poucos os vereadores que têm", disse o deputado, que ainda acusou o PSOL de patrocinar o movimento.

"Você vê como esses jovens estão direcionados. Não tem críticas ao PT e ao PSOL. E tenho certa desconfiança de que o PSOL está patrocinando isso aqui. Não há a menor dúvida de que o PSOL é o partido que apoia ditaduras", declarou.

Manifestantes na porta da Câmara nesta segundaSeverino Silva / Agência O Dia

Vereadores vão se reunir nesta tarde

Manifestantes continuam no Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro nesta segunda-feira. O grupo está no local desde a última sexta-feira, após a eleição do vereador Chiquinho Brazão (PMDB) à presidência da CPI dos Ônibus. Muitas pessoas também estão acampadas em frente ao local, que está fechado. Seguranças permitem a entrada apenas de vereadores.

No sábado, Jorge Felippe (PMDB), presidente da Câmara, se reuniu com manifestantes. Na tarde desta segunda-feira, às 14h, encontro de Felippe com os demais vereadores vai definir os rumos da CPI. Nos bastidores, uma das saídas cogitadas para “acalmar os ânimos dos manifestantes” é anular a CPI com argumento de risco à segurança do patrimônio da Casa e dos parlamentares.

A pressão popular pede a saída de Chiquinho Brazão da presidência dos trabalhos de investigação, mas ele já afirmou que não renuncia.

“Espero que os movimentos sociais entendam que podemos dar um passo importante na qualidade do transporte coletivo. Não podemos perder essa oportunidade, nem dar brechas para anular o trabalho do Legislativo”, limitou-se a dizer Brazão.

Muitos foram até a Câmara neste domingo entregar comida e prestar solidariedade aos manifestantesMaíra Coelho / Agência O Dia

Até o final da noite, o principal interessado na discussão sobre o futuro da comissão, o vereador Eliomar Coelho (Psol), não havia sido convidado para a reunião com os parlamentares. Foi ele quem propôs a CPI para apurar o sistema de ônibus. A manobra para não deixá-lo assumir a presidência provocou a ocupação da Câmara por estudantes.

Fato é que a CPI já começou com falhas. Uma delas é permitir que fossem escolhidos apenas vereadores da base governista como membros. A nomeação deles se deu por proporcionalidade de representação. O PSDB chegou a se articular para fazer um bloco com DEM e o PR e, desta maneira, garantir um representante na comissão. “Disseram que não podia, porque já estavam pegando assinaturas”, lamentou Teresa Bergher (PSDB).

Simpatizantes levam comida e palavras de apoio a manifestantes

Neste domingo, Dia dos Pais, mesmo com frio, simpatizantes ao movimento de ocupação da Câmara foram ao local demonstrar apoio. O bancário Júlio César Vieira dos Santos, 58 anos, se atrasou para o almoço em família, mas fez questão de levar comida para aqueles a quem já considera como filhos. “Me sinto um pouco pai de toda essa geração que está aqui. Também militei muito na minha juventude e agora estou dando apoio da forma que posso”, afirmou.

O escritor Odylanor Havlis também se solidarizou aos manifestantes. Seu filho mora na Suíça há três anos e ele garante que prefere passar o Dia dos Pais sem vê-lo até que os políticos mudem de postura.

“Quero que o país melhore para que eu possa desejar que ele volte para cá. Enquanto isso não acontece, é melhor que ele fique longe do Brasil”, desabafou o homem de 52 anos. A pequena Joana Rodrigues, 10 anos, foi levar comida para o irmão e disse estar orgulhosa: “Ele vai entrar para a história”.

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