Polícia investiga grupo suspeito de ataques

Intitulados Black Bloc, integrantes admitem vandalismo para chamar atenção

Por O Dia

Rio - Integrantes do grupo que se diz anarquista, batizado de Black Bloc (Bloco Negro), cujos membros se vestem de preto e cobrem o rosto , estão sendo investigados pela polícia. A eles são atribuídos ataques violentos contra PMs nas manifestações do Rio, segundo a corporação. Em sua página no Facebook, havia mais de 4.500 mensagens de ‘curtir’ nesta segunda-feira.

Em entrevista ao DIA, pela internet, um homem que se identificou como Manored e se disse cofundador do grupo no Rio, garantiu que os membros da organização são a “tropa de choque” dos manifestantes. “Usamos o que estiver nas mãos (inclusive coquetéis molotov de fabricação caseira) para contra-atacar investidas contra manifestantes pacíficos”, afirmou Manored.

No Facebook, o grupo afirma ser diferente de outros “por, rotineiramente, se utilizar da destruição da propriedade para trazer atenção para sua oposição contra corporações multinacionais”. A maioria dos ‘posts’ na página incita a violência.

PMs recolheram para análise líquido reagente rosa supostamente jogado por integrantes do Black BlocJoão Laet / Agência O Dia

Para Dário de Sousa, especialista em sociologia urbana da Uerj, os integrantes do ‘Black Bloc’, porém, não passam de “consumidores de uma marca descoberta na internet”. “É ridículo eles dizerem que têm raízes no anarquismo, que, ao contrário deles, é um bloco político e com pauta de reivindicações. Alegar que vão a passeatas para proteger manifestantes, promovendo a violência, é um contra-senso. Não têm um pingo de coerência política e nem social”, diz Dário.

Estudante de Segurança Pública da UFF, Paulo Henrique Lima, 24, um dos responsáveis pela mobilização das primeiras manifestações ressalta que é difícil saber as verdadeiras intenções de quem está com o rosto coberto.

“Mas não se pode condenar ninguém, uma vez que todos que vão a uma manifestação têm o mesmo sentimento: o de indignação. Só que cada um protesta de um jeito”, ponderou.

A PM vêm monitorando os grupos nas redes sociais e identificou alguns integrantes e ações planejadas por eles. Domingo, por exemplo, agentes sabiam que um grupo iria para a passeata no Maracanã com bombas químicas. A polícia reforçou o local e recolheu amostras do artefato para análise.

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