Projetos de barcas para SG e trem até Itaguaí ainda estão longe de sair do papel

Obras de mobilidade urbana que envolvam a Região Metropolitana do Rio têm histórico de atraso

Por O Dia

Rio - Obras de mobilidade urbana que envolvam a Região Metropolitana do Rio têm histórico de atraso. Ao que parece, a ligação de São Gonçalo à capital fluminense por meio das barcas e a reativação da estação de trem de Itaguaí devem engrossar a lista de empreendimentos que passam um bom tempo na gaveta antes de sair do papel. O governo estadual chegou a anunciar que os dois projetos estariam prontos até 2015, mas a construção de ambos ainda está longe de começar. Além de não terem verba definida, persistem entraves burocráticos a serem resolvidos, como a obtenção de licenças ambientais, desapropriações e licitações.

A ligação por barcas do Rio a São Gonçalo é um sonho antigo dos 300 mil moradores do município que vêm ao Rio diariamente pela PonteAgência O Dia


De acordo com o professor da Uerj Alexandre Rojas, especialista em Engenharia de Transportes, a ligação de São Gonçalo à Praça 15 através de sistema aquaviário é um projeto discutido há décadas e seria essencial que estivesse em funcionamento para desafogar os engarrafamentos diários da Ponte Rio-Niterói.

“Mais de 300 mil pessoas se deslocam por dia entre São Gonçalo e Rio. As vias estão saturadas, e a barca se apresenta como uma ótima alternativa. O fluxo ocasionado pelo Comperj (complexo petroquímico em construção na área de Itaboraí) torna ainda mais urgente essa necessidade”, explica Rojas.

O próprio professor lembra, no entanto, que há alguns desafios técnicos que têm de ser vencidos para que o projeto se torne realidade. “Como a poluição da Baía de Guanabara na região de São Gonçalo é pior que a de Niterói, devido ao descarte de lixo na área, isso acarreta uma série de problemas para o funcionamento das embarcações. O fundo da baía também acumula segmentos, lodo, que precisariam ser dragados. E isso demandaria gastos elevados”, completa.

O vereador de São Gonçalo Armando Marins (PR) afirma que acionará o Ministério Público para que as obras tenham início. “A Secretaria de Transportes assumiu um compromisso de que a barca em São Gonçalo estaria operando em abril de 2014, e até agora nada. Aí fica postergando. A Petrobras está construindo um porto na região de Itaoca para ancorar navios do Comperj, por que então não fazer uma estação para as barcas também?”, questiona.

SECRETARIA

Viabilidade em estudo

Questionada pelo DIA, a Secretaria de Transportes não mencionou novos prazos para o projeto das barcas. “Estamos aguardando o resultado de um estudo, que está em fase final de calibração de dados, que prevê a criação de novas rotas marítimas em diferentes pontos da Região Metropolitana. Dentre as sugestões, duas possíveis ligações com São Gonçalo terão seus projetos de viabilidade de execução priorizadas”, diz o texto, sem mencionar prazos.

Trens até Itaguaí são promessas para 2015

Desativada desde a década de 1980, a estação de trem de Itaguaí tem prazo para voltar a funcionar até o fim do ano que vem. O anúncio foi feito por Luiz Fernando Pezão, na época ainda vice-governador, em março de 2013. Só que, desde então, o projeto — que prevê a substituição de trilhos e dormentes, aquisição de novas composições e construção de estações — sequer começou.

A concessionária Supervia informou que aguarda que o governo estadual faça desapropriações e obtenha as licenças ambientais necessárias, para que possa iniciar a modernização do trecho entre Santa Cruz e Itaguaí. A Secretaria de Transportes informou que o projeto está previsto para ser iniciado em 2015 e que o novo ramal deverá funcionar como sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilho), beneficiando cinco mil pessoas por dia. Há duas semanas, o governo estadual anunciou a compra de sete VLTs para outros dois ramais (Guapimirim e de Vila Inhomirim), mas a entrega deve ser concluída só em 2016. No caso de Itaguaí, no entanto, os veículos nem foram encomendados.

TRISTE TRADIÇÃO

Arco Metropolitano levou 40 anos

Para se ter uma ideia da demora de alguns projetos para a mobilidade da Região Metropolitana do Rio, vale lembrar o Arco Metropolitano, inaugurado pelo governo estadual no mês passado, após quase 40 anos do início de planejamento do projeto. Mesmo assim, ainda falta construir 25 quilômetros, da extensão total de 150 quilômetros. O trecho final, que será fundamental para ligar o Complexo Petroquímico do Rio (Comperj) à Via Dutra, é de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e deve ficar pronto só em 2016.

Outro projeto que teve datas adiadas é o da Linha 3 do metrô, que liga São Gonçalo a Niterói. Entretanto, está em uma fase bem mais adiantada do que as barcas para São Gonçalo ou o trem para Itaguaí. Segundo a Secretaria Estadual de Obras, o edital de licitação para a construção está em fase final de elaboração.

Na esfera municipal, o corredor BRT Transbrasil, anunciado inicialmente para as Olimpíadas, já teve a licitação adiada três vezes neste ano, e é dúvida para os Jogos.

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