Obesidade infantil atinge índices alarmantes no Brasil

Cartilha traz dicas úteis de como encarar a questão. Aplicativo e até calculadora de IMC infantil também ajudam

Por O Dia

Rio - Às vésperas do Dia das Crianças, um alerta para os pais que desejam festejar muitas datas com seus pequenos cheios de saúde. Comemorado hoje, o Dia Mundial da Obesidade este ano chama a atenção para o aumento da população de crianças gordinhas, que deve chegar a 75 milhões até 2025, segundo a Organização Mundial da Saúde. Considerada um problema típico de países desenvolvidos, o drama dos pequenos acima do peso atinge proporções endêmicas no Brasil (uma a cada três crianças é obesa) e desafia a saúde pública.

Obesidade infantil atinge dados alarmantes no paísArte O Dia

Além de debater possíveis saídas para o problema, o 37º Congresso Brasileiro de Pediatria, que começa amanhã no Rio, lança a cartilha ‘A culpa é sua?’. O presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eduardo da Silva, diz que a intenção é lembrar que a responsabilidade pelo problema é de todos. “Não estamos culpando os pais, a criança, a escola ou os amiguinhos. Todos têm sua parcela e é importante que estejam unidos para combatê-lo”, explica.Segundo ele, crianças obesas podem desenvolver problemas de gente grande, como diabetes, hipertensão, distúrbio do sono, doenças cardiovasculares e, no médio e longo prazo, até câncer.

A dificuldade para tratar o problema começa em casa. De 30% a 45% dos pais e responsáveis não sabem identificar o sobrepeso e a obesidade. Para ajudá-los, foi criada a primeira calculadora da curva de IMC (Índice de Massa Corporal) para crianças, que leva em conta, além do peso e da altura, fatores como sexo e idade. A calculadora foi desenvolvida pela Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade) e estará disponível, gratuitamente, no site da entidade. “Algumas vezes a criança não tem aquela aparência gordinha, apenas um acúmulo de gordura na barriga, mas, segundo a curva, está sim obesa”, explica a endocrinologista Cíntia Cercatto, presidente da Abeso.

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O pediatra Daniel Becker alerta para o sedentarismo entre as crianças, que passam muitas horas sentadas: na sala de aula ou em casa, diante da TV, games e celulares. “Questões como falta de segurança na cidade, falta de ter quem leve para sair, pais ausentes e falta de espaços como plays e praças também influenciam. Muitas crianças hoje têm quase nenhuma atividade física. Isso contribui muito para a obesidade”, afirma.

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Além de exercícios, a mudança de hábitos alimentares é fundamental. O aplicativo gratuito DS Kids, recém-lançado, traz dicas de cardápios, receitas, brincadeiras e como montar uma lancheira saudável. Na família Ferreira, o exemplo partiu de Eduardo, de 7 anos. Ele levou as lições de culinária saudável que aprendeu no Liceu Franco-Brasileiro, em Laranjeiras, para casa. Com isso, os pais, Wagner e Priscilla já perderam cerca de 10 quilos cada um. 

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