Bebês mamam só no peito por apenas 54 dias no Brasil

Semana dedicada ao assunto incentivará a amamentação conciliada ao trabalho

Por O Dia

Rio - Para suprir todas as necessidades nutricionais do bebê, é preciso que ele seja amamentado durante, no mínimo, seis meses. Mas, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde nem sempre é cumprida: no Brasil, por exemplo, a média de amamentação exclusiva (quando o neném ingere somente leite materno) é de apenas 54 dias, o equivalente a menos de dois meses. E é com o objetivo de conscientizar as mulheres sobre o assunto que a Semana Mundial do Aleitamento Materno será promovida a partir deste sábado.

Crianças que são amamentadas têm mais chances de rejeitar bicos artificiais%2C como chupetasBanco de imagens

O tema da campanha deste ano (‘Amamentação e trabalho — Para dar certo o compromisso’) destaca um dos principais problemas enfrentados pelas mães depois que acaba a licença maternidade: conciliar o emprego com o aleitamento dos filhos. No entanto, os especialistas não aprovam que elas parem de amamentá-los — a OMS sugere ainda que, até os 2 anos, a criança continue tomando o leite, intercalando com outros alimentos mais sólidos.

Segundo o pediatra Luís Eduardo Miranda, esse líquido é fundamental para o crescimento do bebê, por preveni-lo de infecções e obesidade. “Entendo que muitas mulheres não têm leite até os 2 anos da criança. Mas, se tiver, o ideal é continuar dando o líquido para os filhos. É o alimento mais completo para eles. Além disso, ainda cria um vínculo mais afetivo com a mãe”, elogia o coordenador da UTI Neonatal da Casa de Saúde São José.

Para que as mulheres consigam conciliar o trabalho com a amamentação, o presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciano Borges, sugere que as empresas criem espaços e incentivem a prática entre as funcionárias.

“Com o leite materno, o bebê adoece menos e, com isso, as mães faltariam menos ao trabalho. Aumentaria até mesmo a produtividade delas, pois as valoriza”, ressalta.

E esse foi o caso de Mariana Cicatelli, de 36 anos. Quando a sua filha, Elisa, era recém-nascida, a gerente de desenvolvimento de produto da L’Oreal conseguia amamentá-la numa sala específica. “Mesmo agora que ela tem sete meses, eu ainda não parei dar o leite materno. Dou diariamente pela manhã e à noite”, conta Mariana.

Programação especial até sexta-feira

Como parte dos eventos da Semana Mundial de Aleitamento Materno, a Secretaria Municipal de Saúde preparou uma programação até a próxima sexta-feira, último dia da campanha. As unidades básicas de saúde vão organizar atividades como mamaços para reunir mães e filhos, além de orientações sobre amamentação nas salas de espera e debates sobre o tema. As mulheres podem ainda doar o líquido em pontos de recebimento do leite, como no Hospital Maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão; Hospital Maternidade Carmela Dutra, em Lins de Vasconcelos; e Clínica da Família Santa Marta, em Botafogo.

No último dia da iniciativa, o Instituto Nacional Fernandes Figueira vai promover um debate às 11h, no Centro de Estudos Olinto de Oliveira, no Flamengo. O encontro pretende atualizaros profissionais de saúde sobre o aleitamento materno.

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