Especialista alerta para o risco de misturar remédios

Farmacêutico da Fiocruz explica que interação de medicamentos pode ser danosa

Por O Dia

Paciente deve evitar tomar mais de um remédio ao mesmo tempoIstock

Rio - Não é novidade que misturar remédios pode fazer mal à saúde. Mas quem pensa que o único problema é a redução do efeito do medicamento precisa ficar alerta. A prática pode causar vários males, como confusão mental e sangramentos. E os riscos vão além: tomar remédios com chás, bebidas e até com atividades simples do cotidiano, como banho quente, também é perigosa.

Uma das ações mais recorrentes e danosas, segundo o farmacêutico José Liporage, da Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico do Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz, é tomar inibidores de apetite com antidepressivos. Ele explica que os efeitos comuns desses dois medicamentos, como o aumento da pressão e taquicardia, podem ser intensificados com a mistura. “Normalmente, a pessoa fica deprimida por não estar satisfeita com o peso. Então, acaba tomando os dois”, analisa o especialista.

Os pacientes devem tomar cuidado também com a interação de remédios e alimentos. De acordo com Liporage, o leite, ao se fixar na parede dos comprimidos, pode diminuir a ação de certos antibióticos e, inclusive, aumentar a infecção.

Outro perigo pode ser o banho quente quando a pessoa estiver usando medicamentos em forma de adesivo, para ser colocado na pele. O calor, diz o especialista, pode aumentar o efeito da droga e causar tonturas.

Tabela mostra os efeitos da interaçãoArte O Dia

Além disso, explica ele, o álcool aumenta os efeitos colaterais dos remédios. “Se uma pessoa tem depressão, por exemplo, ela corre o risco de ficar mais deprimida. Em casos mais graves, a interação do álcool com remédios pode levar ao suicídio”, alerta o especialista.

As principais recomendações para evitar consequências desagradáveis são não se automedicar e, sempre que for ao médico, detalhar todos os chás e remédios que estão sendo ingeridos. Liporage afirma que a bula também pode ser uma grande aliada, pois contém informações sobre como as pílulas devem ser tomadas.

A coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico Farmacológicas (Sinitox), da Fiocruz, Rosany Bochner, lembra ainda que há pessoas que seguem palpites de amigos, sem saber se os remédios podem ser misturados. “Elas não fazem ideia dos riscos que estão correndo ao tomar remédios por conta própria”.

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