Com desemprego em alta, veja como se preparar para voltar ao mercado de trabalho

Com a tendência do cenário econômico piorar, trabalhador corre para se qualificar e se recolocar

Por O Dia

Rio - A jovem Bruna Torres deu entrada no seguro-desemprego já pensando em um novo trabalho. Ela ocupava uma das 2.415 vagas fechadas no Rio em fevereiro, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Com a tendência desse número aumentar, o trabalhador corre para se recolocar no mercado de trabalho.

“Vou me qualificar porque o mercado de trabalho está exigente e as oportunidades são poucas”, disse a jovem de 27 anos, formada em Publicidade e que pretende fazer pós-graduação na área.
O profissional que busca voltar à atividade deve estar atento a uma série de fatores, entre eles o aprendizado, diz Marcos Martins, diretor Nacional do Business Network International (BNI).

Trabalhadores dão entrada no Seguro-Desemprego já atentos às novas possibilidades do mercadoAlexandre Viera / Agência O DIA

“É preciso acompanhar as novidades e ampliar seus conhecimentos e habilidades para não ficar defasado”, alerta Martins. “O mercado de trabalho está cada vez mais concorrido e o cenário econômico é incerto”, completa.

A rede de contatos que o trabalhador possui, o chamado networking, é fundamental para aumentar as chances de conseguir um novo emprego, explica Alessandra Vieira, gestora de Recursos Humanos da Perfil Humano RH.

“Peça indicação apenas para quem conhece seu perfil profissional, porque ninguém quer correr o risco de indicar uma pessoa que pode não atender às expectativas para a função”, sugere Vieira.

A produção de um currículo também faz a diferença. Se tem experiência, valorize os feitos de forma simples e objetiva. Caso não tenha, mostre sua formação, como cursos acadêmicos, de informática ou de línguas.

“Se for entregar em mãos, não o apresente amassado ou dobrado. Quanto à remuneração, só deve constar no currículo se a vaga exigir. Do contrário, deixe para falar na entrevista”, aconselha o especialista Roberto Santos.

Já na entrevista, o momento de tensão é explicar a demissão. É preciso ser claro, não mentir e não procurar culpado. “A dica é não evidenciar pontos negativos”, diz a consultora Renata Filippi.

Internet pode ajudar ou derrubar

Ao mesmo tempo em que serve para aproximar seus usuários, a internet pode ser utilizada como uma ferramenta de relacionamento com pessoas e empresas.

“Manter um perfil atualizado e seguir as empresas do setor em que atua são opções que o profissional pode utilizar ao acessar a internet”, diz o especialista Marcos Martins, da BNI.

Hans Ruppelt usa a internet para ampliar as possibilidades de trabalho. Mas o estudante faz uma ressalva%3A "A nossa imagem que está ali. É preciso cuidado"Alexandre Vieira / Agência O Dia

O estudante de administração Hans Ruppelt, 19, é exemplo de quem usa a rede para a profissão. “Já me cadastrei em cinco sites de emprego”, conta o universitário, que procura estágio e emprego para ajudar a pagar a faculdade.

Contudo, o profissional que busca uma colocação deve manter uma postura discreta nas redes sociais e perfil atualizado, com informações relevantes.

“Deve-se evitar a superexposição com posturas nada sociais, temas áridos como política, religião e futebol, momentos íntimos. A imagem do profissional não pode mais ser dissociada da pessoal”, explica Martins.

Hans concorda: “Sou restrito ao postar opiniões. Penso antes se aquilo pode repercutir de forma negativa. É a nossa imagem que está ali. É preciso cuidado”.

Seguro-desemprego tem novas regras

As novas regras do Seguro-Desemprego mudaram a forma de pagamento do benefício e começaram a valer no início do ano para quem foi demitido a partir do dia 28 de fevereiro. Em todos os casos, o trabalhador não deve ter sido demitido por justa causa, não possuir renda própria e não receber benefício do INSS (exceto auxílio acidente e pensão por morte).

Para quem foi demitido antes desta data, vale a regra antiga. Agora, para 1ª solicitação é necessário que o trabalhador comprove vínculo empregatício com pessoa jurídica ou física de no mínimo 18 e no máximo 23 meses no período de referência para ter direito a quatro parcelas do benefício. 

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