Dono do hit ‘Tá Tranquilo, Tá Favorável’, MC Bin Laden comemora o sucesso

Funkeiro de 22 anos conquistou a Internet e é o novo queridinho do mundo do funk

Por O Dia

MC Bin LadenDivulgação

Rio - “Fala a verdade, você consegue ouvir ‘tá tranquilo’, sem pensar em ‘tá favorável’?”, brinca Jefferson Cristian, 22 anos, funkeiro paulistano conhecido nacionalmente como MC Bin Laden, que teve a surpresa de ver seu refrão, catapultado por um clipe e várias postagens no Facebook, passar a fazer parte do dia a dia até de quem nunca ouviu sua música.

E foi bem rápido: em dois meses o vídeo de ‘Tá Tranquilo, Tá Favorável’, gravado durante uma tarde de farras com amigos na praia de Maresias (em São Sebastião, balneário de São Paulo) ganhou mais de 15 milhões de compartilhamentos, virou meme espalhado pelas redes sociais (e gíria nacional) e ganhou status de hit do carnaval. “Antes tinha o Bin Laden do mal, agora tem o Bin Laden do bem”, brinca o MC. “Mas tô assustado, cara, não acordei ainda pra esse sucesso todo. Tô dando Glória a Deus, é uma vitória do funk”.

A letra e a coreografia brincalhona do hit surgiram como um cruzamento entre o chamado “funk ostentação” paulistano e o espírito alegre do funk carioca. “Resolvi fazer uma música para mostrar pros recalcados que enquanto eles falavam mais da gente, a gente tava tranquilo. Em vez de mostrar o dedo do meio, a gente faz o sinal de ‘hang loose’, que é o sinal que o Ronaldinho Gaúcho usa. Depois só colocamos na internet e Deus abençoou”, conta.

Os louvores repetidos por ele no papo não são à toa: Bin Laden é evangélico e adotou o codinome por sugestão de sua produtora, a KL, após estourar com o funk ‘Bin Laden Não Morreu’, há dois anos. Na época, usava o nome artístico MC Jeeh 2K. “Vi uma matéria sobre ele na TV e fiz uma música sobre a história dele. Quando cheguei na produtora, já falaram que eu precisava mudar de nome porque era muito fraco”. Após a mudança de nome, músicas como ‘Passinho do Faraó’ também já tinham ganhado clipes “teatrais”, de gozação.

“Comecei a cantar no chuveiro, aos oito anos. Montava umas rimas e ia cantar na rua. Na baixada santista, esse funk de putaria era uma onda forte. O funk de São Paulo tem essa origem na ostentação: dinheiro, balada, de você conquistar a mulher pelo luxo, pelo poder. Mas não é a minha praia. Ou esse lance de ‘olha a bandida que tá com a gente...’ Se for fazer isso, faço brincando”, conta. O jovem MC foi descobrindo sua cara ao adotar um estilo “mais próximo do funk carioca”, como afirma. “Minha característica sempre foi brincar. Sempre tive vergonha de tirar a camisa e mostrar que sou gordinho. Sofri muito bullying. Dessa vez tirei a camisa, raspei debaixo de um suvaco e deixei o outro sem raspar... ”.

Torcedor do Santos, o funkeiro posa exibindo o seu bordão, 'Tá Tranquilo, Tá Favorável’, na Vila BelmiroDivulgação

Criado na Vila Progresso, Zona Sul de São Paulo, Bin Laden teve infância pobre. “Passei fome, não tinha luz em casa. Comi até arroz estragado. Meu pai era viciado em jogo, era separado da minha mãe. Mas isso me ensinou muita coisa. Hoje meu pai tá recuperado, minha mãe parou de fumar”, diz Bin Laden, que ajuda a família com os cachês.

“Eu era magrinho porque não tinha o que comer. Fiquei gordinho porque comecei a comer várias coisas que não podia antes. Há um ano eu nunca tinha ido no McDonalds!”.

Santista roxo, Bin Laden foi recentemente na Vila Belmiro e até tirou fotos com um de seus ídolos, o atacante Gabriel Barbosa, o popular Gabigol. “Tenho conhecido muita gente do futebol. Sou fã do Neymar, quando meu filho nascer vai se chamar Neymar”, diz Bin Laden, que namora há quatro anos e quer casar em breve. Ele avisa que vem aí uma parte 2 de ‘Tá Tranquilo, Tá Favorável’.

“Até fizemos já um vídeo que chamamos de ‘parte 2’ mas é brincadeira”. Teve também uma versão axé, que Bin Laden fez com amigos MC da KL Produções e soltou em sua página do Facebook. “Rolou muito convite para eu ir a Salvador, a blocos do Rio. O nome Bin Laden até assustou umas pessoas, tem gente que pensa que a gente faz apologia de matar policiais, mas não é não. A gente é alegre o dia inteiro, adora tirar onda."



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