De olho na liberação dos cassinos no Brasil, Silvio Santos investe em resort

Dono do SBT construiu hotel no Guarujá, em São Paulo, com espaço para jogatina, tão logo o Congresso aprove medida

Por O Dia

Rio - De frente para o mar, com shopping center, seis quadras esportivas e quatro restaurantes. Assim o empresário, apresentador e dono do SBT, Silvio Santos, projetou, em 1998, o Hotel Jequitimar, um resort localizado no litoral paulista. Amante dos jogos de azar, Silvio convidou para ser seu sócio um americano que já atua no ramo de cassinos em Las Vegas, nos Estados Unidos. Com ele, dividiu o investimento de R$ 120 milhões para reformar o espaço. Desde aquela época, Silvio já apostava na liberação dos jogos.

Em 2007, inaugurou o resort de luxo com uma arena, onde são realizados shows. Mas, em breve, a função do local deve mudar. “Basta cobrir, que a área servirá como cassino. Foi projetado para isso. Tem capacidade para 5 mil pessoas”, disse ao DIA uma pessoa próxima ao apresentador.

O projeto de lei%2C no Congresso%2C prevê um cassino por estado. De olho na aprovação%2C Silvio gastou R%24 120 milhões no resort Jequitimar%2C em SPDivulgação

A grande jogada do show-man está para virar realidade. Tramita no Congresso Nacional um projeto que pode legalizar os chamados jogos de azar ainda neste ano. A ideia é que seja construído um cassino por estado, sendo que São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais poderiam ter até três em cada. “Os cassinos devem ser construídos em resorts. O de Silvio Santos é um candidato natural para conseguir a autorização. O resort dele atende aos padrões para o investimento”, afirmou Olavo Silveira, presidente da Associação de Bingos e Cassinos.

Empresários estrangeiros já manifestaram interesse em investir no setor. Em janeiro, Sheldon Adelson, diretor-executivo da Las Vegas Sands, disse a parlamentares que analisam o projeto de lei da legalização dos jogos, que teria até R$ 20 bilhões para investir no Brasil.

Fã da jogatina%2C Silvio tem como sócio americano de Las VegasDivulgação

Mário Ferreira, diretor de uma rede de cassinos em Portugal e o americano Tobin Prior, também do setor, foram ao Congresso Nacional, na última semana, para falar dos benefícios da legalização da jogatina. “A Europa vive uma crise. Um mercado novo é de interesse de todos”, argumentou Ferreira no plenário. Procurado, o Grupo Silvio Santos não quis comentar o assunto.

ARRECADAÇÃO BILIONÁRIA

A possível liberação dos chamados jogos de azar, proibidos desde 1946, é visto pelo governo como uma das saídas para afastar a crise financeira. A arrecadação de impostos prevista com bingos e cassinos é de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões. O projeto para aliviar o caixa do governo já foi aprovado no Senado, em dezembro do ano passado. Desde então, é analisado por 53 deputados que trabalham no parecer do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil. “A maioria quer aprovar. Só Cuba e países islâmicos não possuem autorização para jogos. Vai gerar muito emprego”, defende o deputado federal Guilherme Mussi (PP-SP), relator da Comissão Especial.

Ainda segundo o parlamentar, que esteve no encontro com Adelson em Las Vegas, o projeto enfrenta resistência da bancada conservadora. O parecer final da Comissão deverá sair em sete semanas. Depois, volta para votação no Senado. Se aprovado, passa por sanção presidencial.

A fiscalização dos jogos deverá ser feita por um órgão federal autônomo. “É uma atividade de risco e pode ocorrer lavagem de dinheiro. Tem que ter uma fiscalização específica”, afirmou o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antônio Rodrigues.

“A liberalização dos cassinos significa a abertura de um novo segmento de turismo e lazer. Atualmente, esse público tem que viajar ao exterior para ter acesso a essa atividade.”, disse o presidente da Associação de Resorts, Luigi Rotuno.

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