Sisos devem ser avaliados pelo cirurgião-dentista

Conheça os casos em que a extração dos 'dentes do juízo' é indicada

Por O Dia

Dentes sisos precisam ser analisados em radiografia antes da extração
Dentes sisos precisam ser analisados em radiografia antes da extração - Pixabay

Conhecidos como "dentes do juízo", os sisos nascem entre 16 e 20 anos e representam os terceiros molares. Embora muita gente logo pense em extraí-los, a exodontia (remoção) só deve ser realizada em determinados casos. "A arcada dentária tem que ser analisada radiográfica e clinicamente. É importante procurar um profissional para tirar dúvidas antes do procedimento e saber se a extração é indicada", ressalta o cirurgião-dentista Sandro Sergio dos Santos, credenciado à Amil Dental.

Em geral, a retirada do siso é feita em três situações. Quando o dente é atingido por uma cárie agressiva. Quando não há espaço suficiente para ele se desenvolver e, por isso, surge um cisto ou qualquer outra patologia que gera dor ou infecção. Ou quando o paciente faz tratamento com aparelho ortodôntico e precisa de espaço na arcada para a movimentação dos dentes. "Pessoas que tiveram a mastigação de alimentos estimulada desde a infância por meio do consumo de frutas, naturalmente estimularam mais o maxilar e, por isso, costumam ter mais espaço para o crescimento dos sisos. Já os que adotaram uma dieta mais pastosa, podem não ter esse espaço", explica Santos, complementando que fatores individuais e genéticos devem ser considerados.

Segundo o cirurgião-dentista, para os pacientes que têm os sisos alinhados e em função mastigatória, a exodontia não é indicada. "Eles funcionam como qualquer dente e dão um poder de mastigação maior. Se eles não provocam dor, a extração só deve ser realizada se a posição dificultar muito a higienização e trouxer risco de cárie, por causa do acúmulo de placa bacteriana. Mas somente um profissional pode analisar se é possível fazer a limpeza ou se é indicado remover os sisos".

A extração é um procedimento cirúrgico geralmente feito no consultório, com anestesia local. Mas existem casos que precisam ser conduzidos em centro cirúrgico, como quando o posicionamento dentário é muito complicado, se o paciente tem uma infecção que exige mais atenção ou se houver algum problema de saúde sistêmico (diabetes, problemas cardíacos ou doenças autoimunes, por exemplo). "A região onde se localizam os sisos é muito vascularizada e de difícil higienização. É necessário que a cirurgia seja realizada com biossegurança, ou seja, com materiais em boas condições. Além disso, a pessoa deve tomar cuidado no pós-operatório, que envolve o uso correto da medicação prescrita, dieta e repouso. Tudo isso para que não se desenvolva um processo infeccioso", ressalta Sandro Sergio dos Santos.

Principalmente nas primeiras 24 horas depois da exodontia, o paciente deve ter uma alimentação líquida e pastosa fria, fazer higienização bucal cautelosa, evitar bochechos vigorosos e colocar compressas de gelo na área operada, para controlar o aparecimento de edemas e dor. O paciente não deve praticar atividade física ou ficar em locais quentes e abafados, prevenindo sangramentos e promovendo boa cicatrização e coagulação. "Infecções no pós-operatório podem levar a internações. Mas, se a pessoa seguir as recomendações, a recuperação tem tudo para evoluir bem", diz o cirurgião-dentista.

Uma curiosidade é que algumas pessoas não têm sisos. De acordo com o especialista, isso ocorre devido a alguma alteração durante a formação embrionária, que fez com que o folículo e o germe dental não se desenvolvessem. "É raro, mas pode acontecer. E não caracteriza doença", esclarece.

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